Centrais de Compras

Por Edimir Dumke

Conceito de Capital Social e sua Relação com Centrais de Compras

Parta-se, inicialmente, de um conceito amplo e histórico no âmbito comunitário: o capital social[1]. Embora tal conceito tenha recebido maior atenção apenas no século passado, o sentido do social é inerente ao ser humano, desde o momento em que este começou a desenhar – mesmo que de maneira tosca – o que passou a ser conhecido como “sociedade”. 

Tal conceito, apesar de ainda vago, é passível de aplicação a determinadas situações em que se verificam interações sociais consideradas positivas e que Franco[2] referiu como certa capacidade das pessoas de: 

  1. Subordinar interesses individuais aos de grupos maiores;
  2. Trabalhar juntas visando objetivos comuns ou benefício mútuo;
  3. Se associar umas às outras e formar novas associações;
  4. Compartilhar valores e normas tanto para a formação de grupos e organizações estáveis, quanto para constituir, compartilhar a gestão e, em suma, viver em sociedade;
  5. Viver em comunidade, lato sensu, interagindo socialmente de sorte a criar e manter contextos onde se manifesta um ethos de comunidade.

Higgins[3], ao realizar um projeto regional em Colômbia, com financiamento do Banco Mundial, entre os anos 1997 e 2000, motivou-se a problematizar o conceito de capital social, sustentando-o no pressuposto figurativo de uma elipse com dois focos, onde um está voltado ao político, enquanto o outro se direciona ao utilitarista ou econômico. Boeira e Borba, ao analisarem a obra de Higgins, comentam os dois focos desse pressuposto: 

No primeiro, distinguem-se assimetrias na obtenção de recursos por intermédio de redes de relação social; no segundo, parte-se do pressuposto de que relações de troca simétricas permitem a obtenção de recursos presentes nas estruturas de relação social. Além das diferenças, diz ele, as duas perspectivas são convergentes na idéia de que as relações sociais constituem um patrimônio “não visível”, mas altamente eficaz, a serviço dos sujeitos sociais, sejam estes individuais ou coletivos. Neste sentido, “se as relações sociais estão baseadas na reciprocidade e na expectativa de cumprimento mútuo – caso contrário haveria sanção social -, os motores da ação coletiva serão a confiança e a cooperação”. 

Deste entendimento já se percebe  um fundamento conceitual e estrutural de uma Rede de Empresas ou de uma Central de Compras. 


[1] “O capital social é uma relação social de uma comunidade, não é de uma pessoa ou outro, ou de uma instituição. O capital social é a rede, essa tessitura que existe entre as instituições: empresas, universidades, associações, grupos associativos culturais. Ou seja, aquelas sociedades que têm uma estrutura mais democrática e mais permeável entre si de relações de confiança, de associativismo maior, elas são mais capazes de avançar no sentido do desenvolvimento”. (NÚÑEZ, Tarson. Capital Social. In: Laura Giannecchini, Historiador fala sobre o conceito que busca compreender as desigualdades sociais.

[2] Apud SACHS, Ignacy; LAGES, Vinicius N. Capital social e desenvolvimento: novidade para quem? Conferência Regional sobre Capital Social y Pobreza. Organizadores: CEPAL y Universidad del Estado de Michigan. Santiago (Chile): 24 a 26 de Septiembre de 2001.

 [3] HIGGINS, Silvio S. Os fundamentos teóricos do capital social. (Chapecó: Argos Ed. Universitária, 2005). In: Sérgio Luís Boeira; Julian Borba: Book Review. Ambiente & Sociedade, v. 9, n. 1, Campinas (SP), janeiro/junho – 2006.

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